No Episódio 19 do podcast FRACTAIS, os apresentadores Ale Valverde, Dani Dutra, Felipe Wasserman e Hid Miguel discutem sobre uma das questões mais delicadas para pessoas neurodivergentes: meltdown e shutdown no autismo. Para enriquecer a discussão, o episódio conta com a presença da médica psiquiatra, artista plástica autodidata e também neurodivergente Elisa Iglesias, que compartilha sua experiência pessoal com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a busca pelo autoconhecimento.
O bate-papo é profundo, tocando em dores e discutindo a capacidade que temos de nos reinventar em todos os nossos papeis. Vem ouvir! P.S. nas palavras da artista sobre a capa: “ Quanto suporta se perder sem deixar de ser? Quanto se suporta perder e ainda se ter?”
Elisa Iglesias é médica psiquiatra, psicoterapeuta, artista plástica, curiosa autodidata e neurodivergente. Graduada em medicina pela Faculdade de Medicina de Marilia, se especializou em psiquiatria pelo IAMSPE em São Paulo onde despertou seu interesse por fenomenologia, existencialismo e psicanálise. Atua a uma década em psiquiatria, com experiência em gestão pública, médica psiquiatra em equipes multiprofissionais, como as dos CAPS e de instituições privadas. Também atuou como assistente de pacientes internados e em pronto atendimento de diversos serviços na cidade de São Paulo. Há cinco anos atende exclusivamente pacientes ambulatoriais em consultório médico particular. Há um ano diagnosticada com TEA passou por uma imersão no assunto motivada pela busca de si e de conhecimento, tem por meta agora desenhar e exercer uma nova psiquiatria, neurodiversa
Os meltdowns e shutdowns no autismo são questões muito delicadas para pessoas neurodivergentes, especialmente para aquelas no espectro do autismo. Ambos os termos são usados para descrever reações extremas ao estresse, sobrecarga sensorial, mudanças repentinas ou outras formas de desafio para o sistema nervoso de uma pessoa.
Um meltdown é uma explosão emocional intensa, geralmente acompanhada de comportamentos descontrolados, como gritar, chorar, se debater, bater em si mesmo ou em objetos, entre outros. É importante ressaltar que não é um comportamento voluntário, mas sim uma resposta involuntária ao estresse.
Já o shutdown no autismo é um tipo de “desligamento”, em que a pessoa se retira do ambiente ou se fecha emocionalmente, geralmente para evitar uma sobrecarga sensorial. Isso pode ser percebido como um comportamento “apático” ou “indiferente”, mas também é uma resposta involuntária.
Ambas as reações podem ter efeitos graves sobre a saúde e o bem-estar da pessoa que as experimenta. Por isso, é importante que a sociedade como um todo se esforce para criar ambientes mais inclusivos e respeitosos, que levem em consideração as necessidades e limitações de todas as pessoas, incluindo as neurodivergentes. Além disso, é importante que as pessoas que convivem com uma pessoa neurodivergente aprendam a reconhecer os sinais de estresse e sobrecarga, e estejam preparadas para apoiá-las e ajudá-las a se recuperar de um meltdown ou shutdown no autismo.
