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Avós Neurodivergentes: Memórias, Heranças e Reflexões Sobre Ancestralidade

No episódio “Vozes que Vieram Antes” do Podcast Fractais – Caminhos Típicos por Pessoas Atípicas, o papo girou em torno dos avós, essas figuras tão potentes nas nossas memórias e nas nossas histórias, especialmente sob a ótica de quem vive o mundo de maneira neurodivergente.

O Avô Que Mora na Memória

A conversa começa com relatos pessoais sobre a convivência (ou a ausência dela) com os avós. Tem quem ainda tenha avós vivos e quem os carrega na lembrança. Mais do que saudade, o episódio levanta questões sobre como nossos avós, muitas vezes, carregavam traços de neurodivergência sem nunca terem sido diagnosticados.

Afinal, quem nunca achou que aquele ritual do avô, de sempre sentar no mesmo lugar ou comer a mesma comida, era só “mania de velho”? Quando, na verdade, pode ter sido uma expressão de rigidez cognitiva típica de autistas.

Quando a Neurodivergência Mora na Árvore Genealógica

Entre as histórias, surgem relatos que nos fazem pensar: se somos neurodivergentes, será que nossos avós também não eram? E aí, olhando pra trás, é possível reconhecer traços — sensibilidade auditiva, seletividade alimentar, hiperfoco, colecionismo, dificuldades de empatia — que fazem todo sentido sob essa lente.

Teve avô que era colecionador obsessivo de peixes, avó que pesava bifes milimetricamente e avó que, por suas dificuldades relacionais, acabou sendo percebida como “amarga”, quando, na verdade, talvez estivesse lidando com características autísticas não reconhecidas.

Hierarquia Etária e Neurodivergência

Outro ponto levantado é o conflito geracional, especialmente quando se é neurodivergente. A famosa frase “respeite os mais velhos” muitas vezes bate de frente com a forma crítica e questionadora de quem pensa fora da caixa. Afinal, respeito não pode ser automático — ele precisa ser construído.

Avós, Memória e Eterno Presente

O episódio também mergulha em temas como luto, saudade, sobrevida e a dor de perceber que, às vezes, aquele avô tão querido não pôde participar dos momentos mais importantes da vida adulta dos netos. E, claro, a constatação de que, muitas vezes, a sociedade empurra os idosos para um lugar de invisibilidade, infantilização e negação do próprio corpo, da sexualidade e das emoções.

Diagnóstico Tardio e Reflexão Geracional

Fica claro como o diagnóstico tardio de autismo e outras neurodivergências também ilumina o passado. É como se, ao entender a si mesmo, você começasse a entender melhor a história da sua própria família. E, talvez, até a perdoar certas dores que vieram de gerações anteriores.

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